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28 fev

Origem do Café, uma planta descoberta por pastores de cabras

Publicado por Redação Blog Café Fácil Comentários

A Planta foi descoberta por pastores de cabras.

Sabe-se que, atualmente, o Brasil é o maior produtor de café do mundo. Mas quem teria sido o primeiro país a cultivar a planta?…

Segundo a publicação "Cultura de Café", editada pelo Instituto Campineiro de Ensino Agrícola, o chamado "ouro negro" foi introduzido pelos árabes, inicialmente na região da Etiópia, antiga Absínia (África) e Iêmen (Arábia), às margens do Mar Vermelho.
Planta estimulante – Estima-se que o café seja conhecido há mil anos no Oriente Médio, especialmente na região de Kafa (daí o nome "Café"). Mas o primeiro registro comprovado da existência da planta é do século XV (por volta do ano de 1.400 d.c.). Nessa época, o café foi descoberto por pastores de cabras etíopes. Eles notaram que quando os animais comiam uma pequena cereja (o fruto do café) tornavam-se mais espertos e resistentes.

Kaldi (nome de um desses pastores) passou a colher as cerejas do café e preparar, para seu próprio consumo, uma tonificante pasta feita com cerejas esmagadas e manteiga. Os árabes, vizinhos do Oriente Médio, foram os primeiros a cultivar o café (por isso o nome Coffea arabica – nome científico de uma das mais importantes espécies de café). Os árabes foram também os primeiros a beber o café – em vez de comer ou mascar, como faziam os pioneiros pastores da Etiópia.

Café é o remédio – É interessante notar que na África, berço do café, houve pouco interesse no cultivo da planta até a Primeira Guerra Mundial. Só depois de 1918 é que se iniciou naquele continente a expansão cafeeira, estimulada pelas metrópoles européias. A sabedoria dos nativos africanos porém, já levava-os a explorar as propriedades medicinais da planta há pelo menos dois séculos antes. Quando os europeus chegaram ao ex-Congo Belga, por exemplo, as tribos já haviam descoberto há muito tempo os efeitos estimulantes de bebidas preparadas com folhas de cafeeiros.

09 jan

Ciclo do Café, História, Origem Ciclo do Café

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A LENDA DO CAFÉ

Não há evidência real sobre a descoberta do café, mas há muitas lendas que relatam sua possível origem.

Uma das mais aceitas e divulgadas é a do pastor Kaldi, que viveu na Absínia, hoje Etiópia, há cerca de mil anos. Ela conta que Kaldi, observando suas cabras, notou que elas ficavam alegres e saltitantes e que esta energia extra se evidenciava sempre que mastigavam os frutos de coloração amarelo-avermelhada dos arbustos existentes em alguns campos de pastoreio.

O pastor notou que as frutas eram fonte de alegria e motivação, e somente com a ajuda delas o rebanho conseguia caminhar por vários quilômetros por subidas infindáveis.

Ciclo do Café
Pastor Kaldi e suas cabras

Kaldi comentou sobre o comportamento dos animais a um monge da região, que decidiu experimentar o poder dos frutos. O monge apanhou um pouco das frutas e levou consigo até o monastério. Ele começou a utilizar os frutos na forma de infusão, percebendo que a bebida o ajudava a resistir ao sono enquanto orava ou em suas longas horas de leitura do breviário.

Esta descoberta se espalhou rapidamente entre os monastérios, criando uma demanda pela bebida. As evidências mostram que o café foi cultivado pela primeira vez em monastérios islâmicos no Yemen.

OS PRIMEIROS CULTIVOS DE CAFÉ

A planta de café é originária da Etiópia, centro da África, onde ainda hoje faz parte da vegetação natural. Foi a Arábia a responsável pela propagação da cultura do café.

O nome café não é originário da Kaffa, local de origem da planta, e sim da palavra árabe qahwa, que significa vinho. Por esse motivo, o café era conhecido como "vinho da Arábia" quando chegou à Europa no século XIV.

Os manuscritos mais antigos mencionando a cultura do café datam de 575 no Yêmen, onde, consumido como fruto in natura, passa a ser cultivado. Somente no século XVI, na Pérsia, os primeiros grãos de café foram torrados para se transformar na bebida que hoje conhecemos.

Ciclo do Café
Degustação de café na Etópia

O café tornou-se de grande importância para os Árabes, que tinham completo controle sobre o cultivo e preparação da bebida. Na época, o café era um produto guardado a sete chaves pelos árabes. Era proibido que estrangeiros se aproximassem das plantações, e os árabes protegiam as mudas com a própria vida. A semente de café fora do pergaminho não brota, portanto, somente nessas condições as sementes podiam deixar o país.

Ciclo do Café
Antigos instrumentos árabes para preparo de café

Ciclo do Café
Antigos instrumentos árabes para preparo de café

A partir de 1615 o café começou a ser saboreado no Continente Europeu, trazido por viajantes em suas frequentes viagens ao oriente. Até o século XVII, somente os árabes produziam café.

Alemães, franceses e italianos procuravam desesperadamente uma maneira de desenvolver o plantio em suas colônias.

Mas foram os holandeses que conseguiram as primeiras mudas e as cultivaram nas estufas do jardim botânico de Amsterdã, fato que tornou a bebida uma das mais consumidas no velho continente, passando a fazer parte definitiva dos hábitos dos europeus.

Ciclo do Café
Muda de café cultivada no Jardim Botânico de Amsterdã

A partir destas plantas, os holandeses iniciaram em 1699, plantios experimentais em Java. Essa experiência de sucesso trouxe lucro, encorajando outros países a tentar o mesmo. A Europa maravilhava-se com o cafeeiro como planta decorativa, enquanto os holandeses ampliavam o cultivo para Sumatra, e os franceses, presenteados com um pé de café pelo burgomestre de Amsterdã, iniciavam testes nas ilhas de Sandwich e Bourbon.

Com as experiências holandesa e francesa, o cultivo de café foi levado para outras colônias européias. O crescente mercado consumidor europeu propiciou a expansão do plantio de café em países africanos e a sua chegada ao Novo Mundo. Pelas mãos dos colonizadores europeus, o café chegou ao Suriname, São Domingos, Cuba, Porto Rico e Guianas. Foi por meio das Guianas que chegou ao norte do Brasil. Desta maneira, o segredo dos árabes se espalhou por todos os cantos do mundo.

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Mercadores de café – século XVI

Ciclo do Café
Colheita de café nas colônias – quadro de Debret

A CULTURA DA BEBIDA CAFÉ

Segure uma xícara exalando o aroma de um bom café e você estará com a história em suas mãos.

Apenas um pequena gole dessa saborosa bebida fará com que você possa fazer parte de uma enorme cadeia de produção, romantismo e lances de muito arrojo, iniciada há mais de mil anos na Etiópia.

Ciclo do Café

O hábito de tomar café foi desenvolvido na cultura árabe. No início, o café era conhecido apenas por suas propriedades estimulantes e a fruta era consumida fresca, sendo utilizada para alimentar e estimular os rebanhos durante viagens. Com o tempo, o café começou a ser macerado e misturado com gordura animal para facilitar seu consumo durante as viagens.

Em 1000 d.C., os árabes começaram a preparar uma infusão com as cerejas, fervendo-as em água. Somente no século XIV, o processo de torrefação foi desenvolvido, e finalmente a bebida adquiriu um aspecto mais parecido com o dos dias de hoje. A difusão da bebida no mundo árabe foi bastante rápida.

O café passou a fazer parte do dia-a-dia dos árabes sendo que, em 1475, até foi promulgada uma lei permitindo à mulher pedir o divórcio, se o marido fosse incapaz de lhe prover uma quantidade diária da bebida. A admiração pelo café chegou mais tarde à Europa durante a expansão do Império Otomano.

Ciclo do Café
Preparo da bebida café

Ciclo do Café
Transporte de café entre cidades árabes

AS CAFETERIAS

Foi em Meca que surgiram as primeiras cafeterias, conhecidas como Kaveh Kanes. Cidades como Meca, eram centros religiosos para reza e meditação e a religião muçulmana proibia o consumo de qualquer tipo de bebida alcoólica. Desta forma, os Kaveh Kanes se transformaram em casas onde era possível se passar à tarde conversando, ouvindo música e bebendo café.

A bebida conquistou Constantinopla, Síria e demais regiões próximas. As cafeterias tornaram-se famosas no Oriente pelo seu luxo e suntuosidade e pelos encontros entre comerciantes, para a discussão de negócios ou reuniões de lazer.

Ciclo do Café
Casa de café em Constantinopla

Ciclo do Café
Casa de café na Turquia – início do século XVIII

O café conquistou definitivamente a Europa a partir de 1615, trazido dos países árabes por comerciantes italianos. O hábito de tomar o café, principalmente em Veneza, estava associado aos encontros sociais e à música que ocorriam nas alegres Botteghe Del Caffè. Em 1687 os turcos abandonaram várias sacas de café às portas de Viena, após uma tentativa frustrada de conquista, e estas foram usadas como prêmio pela vitória. Assim é aberta a primeira coffee house de Viena e difundido o hábito de coar a bebida e bebê-la adoçada com leite – o famoso café vienense.

As cafeterias desenvolveram-se na Europa durante o século XVII, enquanto florescia o Iluminismo e se planejava a Revolução Francesa. Durante tardes inteiras, jovens reuniam-se em torno de várias xícaras de café, discutindo o destino das nações, declamando poemas, lendo livros ou simplesmente passando o tempo.

Atualmente, algumas casas famosas como o Café Procope, em Paris, e o Café Florian, em Veneza, ainda preservam o glamour dessa época.

Ciclo do Café
Comércio de café entre
árabes e europeus – 1690

Ciclo do Café
Hábito de consumo de café se
espalha pela Europa – 1730

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Cafeteria – Europa, século XVIII

Ciclo do Café
Cafeteria – Europa, século XIX

Ciclo do Café
Café em Veneza

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Café em Veneza

Até hoje os cafés são locais onde pessoas se reúnem para discutir assunto importantes ou simplesmente passar o tempo, sendo o ritual do cafezinho uma tradição que sobreviveu a todas as transformações.

Nos últimos anos, houve uma onda provocada pelas modernas máquinas de café expresso, que revolucionaram o hábito do cafezinho, permitindo um crescimento vertiginoso das cadeias de lojas de café.

A técnica de gerenciamento por meio do sistema de licença da marca também permitiu um rápido desenvolvimento dessas lojas especiais, voltadas para um mercado mais exigente, o de café Gourmet.

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Antiga máquina de expresso

O CAFÉ NO BRASIL

O café chegou ao norte do Brasil, mais precisamente em Belém, em 1727, trazido da Guiana Francesa para o Brasil pelo Sargento-Mor Francisco de Mello Palheta a pedido do governador do Maranhão e Grão Pará, que o enviara s Guianas com essa missão. Já naquela época o café possuía grande valor comercial.

Palheta aproximou-se da esposa do governador de Caiena, capital da Guiana Francesa, conseguindo conquistar sua confiança. Assim, uma pequena muda de café Arábica foi oferecida clandestinamente e trazida escondida na bagagem desse brasileiro.

Ciclo do Café
Francisco de Mello Palheta

Devido às nossas condições climáticas, o cultivo de café se espalhou rapidamente, com produção voltada para o mercado doméstico. Em sua trajetória pelo Brasil o café passou pelo Maranhão, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Num espaço de tempo relativamente curto, o café passou de uma posição relativamente secundária para a de produto-base da economia brasileira. Desenvolveu-se com total independência, ou seja, apenas com recursos nacionais, sendo, afinal, a primeira realização exclusivamente brasileira que visou a produção de riquezas.

Em condições favoráveis a cultura se estabeleceu inicialmente no Vale do Rio Paraíba, iniciando em 1825 um novo ciclo econômico no país. No final do século XVIII, a produção cafeeira do Haiti — até então o principal exportador mundial do produto — entrou em crise devido à longa guerra de independência que o país manteve contra a França. Aproveitando-se desse quadro, o Brasil aumentou significativamente a sua produção e, embora ainda em pequena escala, passou a exportar o produto com maior regularidade. Os embarques foram realizados pela primeira vez em1779, com a insignificante quantia de 79 arrobas. Somente em 1806 as exportações atingiram um volume mais significativo, de 80 mil arrobas.

Ciclo do Café
Francisco de Mello Palheta

Ciclo do Café
Armazenagem de café – Brasil, século XIX

Por quase um século, o café foi a grande riqueza brasileira, e as divisas geradas pela economia cafeeira aceleraram o desenvolvimento do Brasil e o inseriram nas relações internacionais de comércio. A cultura do café ocupou vales e montanhas, possibilitando o surgimento de cidades e dinamização de importantes centros urbanos por todo o interior do Estado de São Paulo, sul de Minas Gerais e norte do Paraná. Ferrovias foram construídas para permitir o escoamento da produção, substituindo o transporte animal e impulsionando o comércio inter-regional de outras importantes mercadorias. O café trouxe grandes contingentes de imigrantes, consolidou a expansão da classe média, a diversificação de investimentos e até mesmo intensificou movimentos culturais. A partir de então o café e o povo brasileiro passam a ser indissociáveis.

A riqueza fluía pelos cafezais, evidenciada nas elegantes mansões dos fazendeiros, que traziam a cultura européia aos teatros erguidos nas novas cidades do interior paulista. Durante dez décadas o Brasil cresceu, movido pelo hábito do cafezinho, servido nas refeições de meio mundo, interiorizando nossa cultura, construindo fábricas, promovendo a miscigenação racial, dominando partidos políticos, derrubando a monarquia e abolindo a escravidão.

Além de ter sido fonte de muitas das nossas riquezas, o café permitiu alguns feitos extraordinários. Durante muito tempo, o café brasileiro mais conhecido em todo o mundo era o tipo Santos.

A maioria das pessoas acredita ser a cidade de Santos, porto exportador de café, a origem do nome. Na realidade, a marca Santos deriva de Alberto Santos Dumont, que além de ter sido um pioneiro da aviação, foi também "o rei do café".

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Santos Dumont em seu avião, 14 Bis

Implantado com o mínimo de conhecimento da cultura, em regiões que mais tarde se tornaram inadequadas para seu cultivo, a cafeicultura no centro-sul do Brasil começou a ter problemas em 1870, quando uma grande geada atingiu as plantações do oeste paulista provocando prejuízos incalculáveis.

Depois de uma longa crise, a cafeicultura nacional se reorganizou e os produtores, industriais e exportadores voltaram a alimentar esperanças de um futuro melhor. A busca pela região ideal para a cultura do café se estendeu por todo o país, se firmando hoje em regiões do Estado de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo, Bahia e Rondônia. O café continua hoje, a ser um dos produtos mais importantes para o Brasil e é, sem dúvida, o mais brasileiro de todos. Hoje o país é o primeiro produtor e o segundo consumidor mundial do produto.

O TRAJETO DO CULTIVO DO CAFÉ NO BRASIL

O primeiro plantio ocorreu em 1727, no Pará. Devido às nossas condições climáticas, o cultivo de café se espalhou rapidamente.

O ponto de partida das grandes plantações foi o Rio de Janeiro, com as matas da Tijuca tornando-se grandes cafezais. O café estende-se para Angra dos Reis, Parati e chegou a São Paulo por Ubatuba. Em pouco tempo, o vale do rio Paraíba se tornou a grande região produtora da lavoura cafeeira no Brasil. Esta região com altitude e clima excelentes para o cultivo, possibilitou o surgimento de uma área centralizadora de culturas e população. Subindo pelo rio, o café invadiu a parte oriental da província de São Paulo e a região da fronteira de Minas Gerais. Na época o Rio de Janeiro era o porto de escoamento do produto e centro financeiro.

Entretanto, a cultura do café em áreas com declive acentuado e o total descuido quanto à preservação do solo gerou uma erosão intensa. Por este motivo, as terras se esgotaram rapidamente e a cultura cafeeira migrou para um outro local, o oeste da província de São Paulo, centralizando-se em Campinas e estendendo-se até Ribeirão Preto.

Campinas passou a ser então o grande pólo produtor do país. As culturas estendiam-se em largas superfícies uniformes, cobrindo a paisagem a perder de vista, formando os famosos "mares de café". Na região, os cafezais sofriam menos com esgotamento dos solos pela superfície plana da região, que facilitava ainda a comunicação e o transporte e proporcionava uma concentração da riqueza. Enquanto no Vale do Paraíba foi estabelecido um sistema complexo de estradas férreas, nessa nova região foi implantada uma boa rede de estradas rodoviárias e ferroviárias. Com este novo pólo produtor, o café mudou seu centro de escoamento, sendo toda a produção do oeste paulista a enviada a São Paulo e depois exportada a partir do porto de Santos.

Ciclo do Café
Embarque de café no
Porto de Santos – 1908

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Transporte de café pela
ferrovia Santos-Jundiaí – 1860

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Pregão na Bolsa do Café, em
Santos (atual Museu do Café)

A cafeicultura no centro-sul do Brasil enfrentou problemas em 1870, quando uma grande geada atingiu as plantações do oeste paulista provocando grandes prejuízos, e, mais tarde, durante a crise de 1929. No entanto, após se recuperar das crises, a região se manteve como importante centro produtor. Nela se destacam quatro estados produtores: Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Paraná. Como a busca pela região ideal para a cultura do café cobriu todo o país, a Bahia se firmou como pólo produtor no Nordeste e a Rondônia na região Norte.

AS GRANDES FAZENDAS DE CAFÉ

As plantações de café foram fundadas em grandes propriedades monoculturais trabalhadas por escravos, substituídos mais tarde por trabalhadores assalariados: as grandes fazendas de café.

Estas fazendas ficaram famosas por sua arquitetura típica e seus equipamentos. Tanques em que o grão é lavado logo depois da colheita, terreiros para secagem, máquinas de seleção e beneficiamento fazem parte desse ambiente. A senzala dos escravos ou colônias de trabalhadores livres finalizam a caracterização das fazendas cafeeiras. A fazenda de café, desde a semente até a xícara, era um pequeno mundo, quase isolado.

Ciclo do Café
Sede de antiga fazenda de café

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Terreiro de antiga fazenda de café

O desenvolvimento da produção cafeeira esteve intimamente relacionado com a quantidade de mão-de-obra disponível. Para incentivar a produção de café, a administração do Estado de São Paulo fez da questão imigratória o projeto central de suas atividades, estabelecendo um sistema que oferecia auxílio formal à imigração européia, principalmente à italiana. Por meio de um programa que cuidava da propaganda em seu país de origem, os imigrantes eram trazidos desde seu domicílio na Europa até a fazenda de café.

A imigração ajudou na conquista de áreas ainda não exploradas, permitindo rápido desenvolvimento do Estado de São Paulo.

Com a mão-de-obra imigrante a cultura ganhou impulso e durante três quartos de século, quase toda riqueza do país se concentrou na agricultura cafeeira. O Brasil dominava 70% da produção mundial e ditava as regras do mercado. Nessa época os fazendeiros de café se tornaram a elite social e política, formando umas das últimas aristocracias brasileiras. A opulência dos plantadores de café permitiu a construção dos grandes e bonitos casarões das fazendas e de mansões na cidade de São Paulo e financiou a industrialização no sudeste do país.

A CRISE DE 29

A quebra na bolsa de Nova York em outubro de 29 foi um golpe para a estabilidade da economia cafeeira.

O café não resistiu ao abalo sofrido no mundo financeiro e o seu preço caiu bruscamente. As lavouras de café enfrentaram a verdadeira dimensão do mercado.

Nesse processo, milhões de sacas de café estocadas foram queimadas e milhões de pés de café foram erradicados, na tentativa de estancar a queda contínua de preços provocada pelos excedentes de produção.

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Quadro de preços – Bolsa Oficial de Café

Quando a economia mundial conseguiu se recuperar do golpe de 1929, o Sudeste do país voltou a crescer, desta vez com perspectivas lastreadas na cafeicultura e na indústria, que assumia parcelas maiores da economia. O café retomou sua importante posição nas exportações brasileiras e, mesmo perdendo mercado para outros países produtores, o país ainda se mantém como maior produtor de café do mundo.

Das suas épocas áureas, ainda nos restam as belas sedes das fazendas coloniais, um extenso material técnico-científico, plantações centenárias e o hábito nacional do cafezinho.

O CAFÉ BRASILEIRO NA ATUALIDADE

Atualmente o Brasil é o maior produtor mundial de café, sendo responsável por 30% do mercado internacional de café, volume equivalente soma da produção dos outros seis maiores países produtores. É também o segundo mercado consumidor, atrás somente dos Estados Unidos.

As áreas cafeeiras estão concentradas no centro-sul do país, onde se destacam quatro estados produtores: Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Paraná. A região Nordeste também tem plantações na Bahia, e da região Norte pode-se destacar Rondônia.

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Cafezal – detalhe de linha de plantio

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Cafezal – sistema de irrigação

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Cafezal – vista aérea

A produção de café arábica se concentra em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia e parte do Espírito Santo, enquanto o café robusta é plantado principalmente no Espírito Santo e Rondônia.

As principais regiões produtoras no Estado de São Paulo são a Mogiana, Alta Paulista Região de Pirajú. Uma das mais tradicionais regiões produtoras de café, a Mogiana está localizada ao norte do estado, com cafezais a uma altitude que varia entre 900 e 1.000 metros. A região produz somente café da espécie arábica, sendo que as variedades mais cultivadas são o Catuaí e o Mundo Novo. Localizada na região oeste do estado, a Alta Paulista tem uma altitude média de 600 metros.

A região é produtora de café arábica, sendo que a variedade mais cultivada é a Mundo Novo. A região de Piraju, a uma altitude média de 700 metros, produz café arábica, com cerca de 75% sendo da variedade Catuaí, 15% da variedade Mundo Novo e 10% de novas variedades, como Obatã, Icatu, entre outras.

Em Minas Gerais, as principais regiões produtoras são: Cerrado Mineiro, Sul de Minas, Matas de Minas e Jequitinhonha. A altitude média do Cerrado Mineiro é de 800 metros e dentre o café arábica cultivado, a predominância é de plantas das variedades Mundo Novo e Catuaí. O Sul de Minas também produz apenas café arábica e a altitude média é de aproximadamente 950 metros. As variedades mais cultivadas são o Catuaí e o Mundo Novo, mas também há lavouras das variedades Icatu, Obatã e Catuaí Rubi. A região das Matas de Minas e Jequitinhonha está a uma altitude média de 650 metros e possui lavouras de arábica das variedades Catuaí (80%), Mundo Novo, entre outras.

O Paraná chegou a ter 1,8 milhão de hectares dedicados ao cultivo de café. Hoje esse número é de apenas 156 mil hectares, mas o café ainda está presente em aproximadamente 210 municípios do estado e é responsável por 3,2% da renda agrícola paranaense. O café é cultivado nas regiões do Norte Pioneiro, Norte, Noroeste e Oeste do Estado. As áreas de cultivo são muito extensas, o que justifica a grande variação de altitudes. A altitude média é de aproximadamente 650 metros, sendo que na região do Arenito, próximo ao rio Paraná, a altitude é de 350 metros e na região de Apucarana chega a 900 metros. No Estado é cultivada a espécie arábica e as variedades predominantes são Mundo Novo e Catuaí.

A cafeicultura na Bahia surgiu a partir da década de 1970 e teve uma grande influência no desenvolvimento econômico de alguns municípios. Há atualmente três regiões produtoras consolidadas: a do Planalto, mais tradicional produtora de café arábica; a Região Oeste, também produtora de café arábica, sendo uma região de cerrado com irrigação e a Litorânea, com plantios predominantes do café robusta (variedade Conillon).

Na Região Oeste, um número expressivo de empresas utilizando alta tecnologia para café irrigado vem se instalando, contribuindo, assim, para a expansão da produção em áreas não tradicionais de cultivo e consolidando a posição do Estado como o quinto maior produtor com, aproximadamente, 5% da produção nacional.

No parque cafeeiro estadual predomina a produção de café Arábica com 76% da produção (com 95% sendo da variedade Catuaí) contra 24% de Café Robusta.

No Espírito Santo, os principais municípios produtores são Linhares, São Mateus, Nova Venecia, São Gabriel da Palha, Vila Valério e Águia Branca. O café foi o produto responsável pelo desenvolvimento de um grande número de cidades no Estado. São cultivadas no estado as espécies arábica e robusta (Conillon), tendo sido marcante a produção desta última, que se expandiu principalmente nas regiões baixas, de temperaturas elevadas.

Atualmente as lavouras de robusta ocupam mais de 73% do parque cafeeiro estadual e respondem por 64,8% da produção brasileira da variedade. O Estado coloca o Brasil como segundo maior produtor mundial de Conillon.

No Estado de Rondônia a produção de café está concentrada nas cidades de Vilhena, Cafelândia, Cacoal, Rolim de Moura e Ji-Paraná. No cenário nacional, Rondônia representa o sexto maior estado produtor e o segundo maior estado produtor de café Robusta, com uma área de 165 mil hectares e uma produção de 2,1 milhões de sacas, constituídas exclusivamente pelo café robusta (variedade Conillon).

LINHA DO TEMPO DO CAFÉ

Lenda de Kaldi, um pastor de cabras que descobre o valor estimulante do café.

O café, utilizado como alimento cru, começa a ser cultivado em grande quantidade no Yêmen.

Tribos da Etiópia consomem a fruta macerada, misturada com banha, como alimento.

Descobre-se a infusão de café. A fruta é mergulhada em água fervida, e esta infusão é usada com fins medicinais.

O hábito de beber café torna-se popular em Constantinopla, levado pelo Império Otomano.

Primeiro café do mundo é aberto em Constantinopla, o Kiva Han. As leis turcas permitiam que a esposa pedisse o divórcio caso o marido não fosse capaz de prover um cota de café.

A bebida é preparada da mesma forma que conhecemos nos dias de hoje. O café se torna popular na Arábia, e como o Alcorão proíbe as bebidas alcoólicas, passa a ser bastante utilizado em cerimônias religiosas.

Khair Beg, governador de Meca, tenta proibir o consumo de café. O sultão, sabendo do ocorrido, decreta uma lei torna o café uma bebida sagrada e condena o governador à morte.

O café é levado para Mokha, onde se inicia um grande cultivo.

Prospero Alpino descreve o cafeeiro no livro De Plantis Aegypti, publicado em Veneza.

A primeira importação de café para Europa é feita pelos Venezianos.

A prática da torrefação e moagem de café espalha-se pela Europa. Um dos responsáveis por esta divulgação foi a "Botteghe del Caffè". No Cairo, inicia-se o uso de açúcar para adoçar o café.

Abre-se o primeiro café de Londres, Pasquar Rose, que causou conflito religioso, já que o café era considerado uma bebida impura por alguns religiosos da Inglaterra.

Os holandeses conseguem algumas mudas de café de Mokha.

O café invade a América do Norte, levado pelos holandeses.

Em Nova Amsterdã (Nova York) e Filadélfia, são abertas as primeiras coffee shops.

Nova York inicia um grande mercado de grãos de café em Wall Street, a Exchange Coffee House.

O exército otomano cerca Viena. Franz Georg Kolschitzky, um vienense, escapa do cerco turco e sai em busca de reforço. Os turcos recuam, deixando para trás várias sacas de café que Franz declara suas como "recompensa" pela vitória. Assim é aberta a primeira coffee house de Viena e difundido o hábito de coar a bebida e bebê-la adoçada com leite.

É aberto o primeiro café de Paris, o Procope, que atualmente é um restaurante em que se pode sentir a tradição das primeiras cafeterias européias.

Da estufa do jardim botânico de Amsterdã, saem alguns pés de café e, em 1699, inicia-se plantio experimental em Java e posteriormente em Sumatra.

O rei francês Louis XIV é presenteado com plantas de café pelo burgomestre de Amsterdã. Estas são colocadas na estufa dos jardins de Versailles. Destas mudas, os franceses levam o café para as Ilhas de Sandwich e Bourbon.

Holandeses levam o café para o Suriname, região nordeste da América do Sul, que se transforma em um grande centro produtor.

Floriano Francesconi inaugura o café Florian na Piazza San Marco, em Veneza, até hoje uma tradição.

Gabriel Mathieu de Clieu, capitão da marinha francesa, viaja para a Martinica levando mudas de café. A viagem é longa e algumas mudas morrem. O capitão resolve dividir com elas a sua ração de água para que chegassem ao continente. As plantas sobrevivem à viagem e se adaptam muito bem ao clima local. Infelizmente o capitão, que já tinha 80 anos na época da viagem, não ficou vivo o suficiente para ver o resultado de seus esforços, que deram origem a grandes plantações, que seriam as ancestrais da América.

Primeira plantação de café em terras brasileiras. O café começa a ser cultivado no Pará, a partir de uma muda trazida do Suriname, por Francisco de Melo Palheta.

Ingleses iniciam plantações na Jamaica, dando origem ao famoso café Blue Mountain.

Johann Sebastian Bach compõe a Contata do Café. As cafeterias já haviam se tornado um local para apreciação da música.

Mudas de Goa são trazidas para o Rio de Janeiro. O café é plantado na Gávea e na Tijuca por João Alberto Castello Branco.

O cientista alemão Ferdinand Runge descobre a cafeína a partir do café.

Depois de avançar pelo Vale do Paraíba, o café torna-se uma commodity importante para os brasileiros e chega a Campinas consagrando-a como a capital da cafeicultura paulista.

Brasil torna-se uma grande potência exportadora de café com 26 milhões de pés plantados.

Inaugurada a Estrada de Ferro Santos Jundiaí, que unia o principal porto de exportação à região produtora de café.

Ludwig Roselius coloca no mercado o primeiro café sem cafeína.

Santos Dumont realiza seu primeiro vôo com o 14 Bis e reforça sua imagem de maior cafeicultor do mundo, conhecido como o "rei do café", divulgando a sua marca "Santos" por toda Europa.

Com a crise de 29, decorrente da quebra na bolsa, há uma desestabilização do mercado. O financiamento junto aos bancos estrangeiros é interrompido, e os preços despencam, levando o setor para uma enorme crise.

Fim do domínio brasileiro no mercado de café.

Começa nos EUA a popularização do café expresso, com a difusão de redes de cafeterias.

As máquinas de café expresso automáticas ganham presença no mundo todo.

Consumo mundial supera a barreira dos 100 milhões de sacas.

Brasil atingiu recorde de quase 3 milhões de dólares na exportação de café, tendo a Alemanha superado os Estados Unidos como maior importador.

Comitê do Conselho da Bolsa de Nova York coloca na pauta o café despolpado brasileiro. A quantidade de lojas especiais para café na América do Norte supera a casa das 10 mil.

Fonte: www.abic.com.br

16 dez

História do Café

Publicado por Redação Blog Café Fácil Comentários

História do Café

Era uma vez…
A história do café é rodeada de lendas que explicam a sua possível origem. Uma das mais aceitas e difundidas conta que no século III d. C. , na região da Absínia, atual Etiópia, vivia um pastor de cabras chamado Kaldi.
Um dia, observando as suas cabras, Kaldi percebeu que após ingerir o fruto do café, elas ficavam mais agitadas e revigoradas. Curioso com aquilo que havia observado, Kaldi  decide então provar o fruto e tem a mesma sensação de vigor que havia notado nas cabras.
Kaldi comentou o ocorrido com um monge da região, que decidiu levar alguns frutos até o monastério local. Lá, os monges utilizaram os frutos em infusão e perceberam que ao beber o líquido permaneciam mais tempo acordados em suas longas horas de oração e leituras do breviário.
Rapidamente, a descoberta se espalhou por vários monastérios, criando demanda para a bebida.

Os primeiros cultivos do Café
As evidências botânicas sugerem que os primeiros cafés são originários da Etiópia, centro da África, onde ainda compõem a vegetação natural. O cultivo iniciou no Yemen, na Península Arábica, por volta de 575, onde os frutos eram consumidos in natura. Acredita-se que os persas levaram-no para a Etiópia no século VI d.C., período  que invadiram a região.
A Arábia foi então a responsável pelo cultivo e propagação da cultura do café. Porém, o nome café não é originário da Kaffa, local de origem da planta, e sim da palavra árabe qahwa, que significa vinho. Por esse motivo, o café era conhecido como "vinho da Arábia" quando chegou à Europa no século XIV.
O café era considerado um produto precioso para os árabes, que tinham total controle do cultivo e preparo da bebida, proibindo inclusive a aproximação de estrangeiros às plantações. As sementes só poderiam sair do país em pergaminhos – prática proibida pelo governo árabe- do contrário elas não brotavam.
A partir de 1615 o café produzido pelos árabes começou a ser consumido na Europa, trazido por viajantes em viagens ao Oriente. O monopólio árabe durou até o século XVII, quando então os holandeses conseguiram produzir as primeiras mudas em suas colônias, seguido pela França, que também passa a investir na produção do fruto.
Rapidamente, o cultivo do café dominou outras terras colonizadas pelos europeus, especialmente nas colônias da África e América Latina, devido a maior adaptação da planta em regiões de clima tropical.

Um cafezinho? Só se for agora!
Beber o famoso cafezinho tem suas origens na cultura árabe. A fruta era consumida no seu estado puro, com o intuito de ser um estimulante. Por ser muita usada por viajantes em longas viagens o fruto foi macerado e misturado à gordura animal.
Em 1000 D.C. o café tem a  sua primeira transformação e seu preparo passa a ser feito pela infusão das cerejas.  No século XIV é desenvolvido o processo de torrefação e o saboroso cafezinho ganha aspecto parecido com os dias de hoje. Rapidamente, o café entra para o cardápio do mundo árabe e em seguida atinge a Europa durante a expansão do Império Otomano.

O Café no Brasil
E por que não? Essa foi a pergunta que os portugueses fizeram ao perceber que as terras brasileiras renderiam boas xícaras de café. Porém, os portugueses não possuíam nenhuma muda para cultivo e precisavam encontrar uma forma de conseguí-la.
As portas para o café no Brasil se abrem então em 1727, quando o Sargento-Mor Francisco de Mello Palheta recebeu a missão do governador do Pará de buscar algumas mudas na colônia vizinha, a Guiana Francesa. Não foi uma tarefa fácil, pois a Guiana seguia ordens expressas da França para o não-fornecimento, porém algumas sementes conseguiram atravessar a fronteira sãs e salvas para o cultivo.
Com a cultura da cana-de-açúcar e do algodão em crise, o café facilmente assume o cenário brasileiro. Logo, plantações surgiram no Maranhão, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.
No século XIX, a produção cafeeira ganha uma tímida projeção internacional, favorecida pelas crises de produção nos principais exportadores: Java sofre com as pragas e o Haiti trava uma longa guerra contra a França por independência. Em 1779, o Brasil atinge 79 arrobas, número ainda pouco expressivo para quem busca espaço na exportação.
No entanto, em 1806, o café brasileiro conquista o paladar europeu e as exportações atingem 80 mil arrobas. A partir de 1816, definitivamente, o café brasileiro domina as xícaras européias. Na década de 1830  assume mais de 40 % do total de exportações no Brasil. Em 1840, o Brasil assume a liderança de produção mundial de café. Entre 1870-1880 o café passou a representar 56%  do valor de exportações.
Até 1930 o Brasil desfruta os louros do café, quando o crack da Bolsa de Nova York (1929) derrubou as exportações. Durante todo esse período, apenas em 1870, uma grande geada provocou prejuízos nas plantações do oeste paulista.

Para descontrair… as cafeterias
Chiques, modernas, tradicionais ou pitorescas as cafeterias  já nasceram com um charme especial e sempre foram sinônimos de glamour e bom gosto.
Com as bênçãos de Alá, as primeiras cafeterias surgiram em Meca, sendo consumidas em centros religiosos conhecidos como Kaveh Kanes. Como a religião muçulmana proibia o consumo de qualquer bebida alcoólica, o santo cafezinho tornou-se uma espécie de “vinho do Islã”.
A religiosidade do café logo conquistou o Cairo, Constantinopla, Síria e todo o Oriente Médio. Com o tempo, o café deixou de ser consumido exclusivamente em centros religiosos, ganhando uma apreciação mais profana nas reuniões de lazer e negócios em luxuosas cafeterias. 
Em 1615, a Europa cai de joelhos pelo café, trazido dos países árabes pelos mercadores de Veneza. Porém, a Igreja Católica não gostou muito da novidade que encantou os italianos e proibiu o consumo. Anos mais tarde, o Papa Clemente VIII experimentou a bebida; gostou, aprovou e liberou o consumo.
Enquanto o Iluminismo aclarava a Europa, o século XVII via diversas cafeterias abrirem as suas portas por todo o continente. Numa época de grandes reflexões políticas, sociais, culturais e econômicas, as cafeterias foram importantes cenários de enérgicas discussões, debates e manifestações artísticas.
Com a propagação das modernas máquinas de café espresso, o hábito de tomar café ganhou um vertiginoso crescimento das cadeias de lojas de café. Soma-se a isso, a técnica de gerenciamento por meio de licença de marca, surgindo várias lojas especiais, que atendem um mercado mais exigente, o café Gourmet.
Sobrevivente às transformações do tempo, as cafeterias mantém até hoje o seu ar glamuroso para aqueles que buscam  uma boa conversa com gosto de café.

Brasil no topo do mundo
Atualmente, o Brasil é o maior produtor mundial de café, responsável por 30 % da produção mundial e também o segundo maior consumidor, atrás apenas dos Estados Unidos.
As áreas de maior concentração cafeeira estão no centro-sul do país, principalmente nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Paraná. Nas regiões Norte e Nordeste destacam-se, respectivamente, os estados de Rondônia e Bahia.
A produção de café arábica se concentra em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia e parte do Espírito Santo, enquanto o café robusta  ou canephora é plantado principalmente no Espírito Santo, Rio de Janeiro e Rondônia.
Atualmente, existem mais de 2 mil fazendas de café sendo que, as melhores e mais produtivas estão nos municípios  mineiros .

21 jun

Filme O CAFÉ – HISTÓRIA E PENETRAÇÃO NO BRASIL de 1958 de Humberto Mauro

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Filme sobre café realizado pelo pioneiro do cinema no Brasil, Humberto Mauro

 

A história do café é fascinante. Mais fascinante ainda vista através da câmara do diretor cult de cinema mineiro, Humberto Mauro, e ilustrada com motivos folclóricos recolhidos por Mário de Andrade. O documentário “O café – História e Penetração no Brasil” de 1958 conta a história do café, não apenas numa perspectiva histórica como também artística e pedagógica. O curta-metragem tem a duração de 30 minutos e foi digitalizado na Cinemateca Brasileira que mantém a guarda do material em 35 mm. A cópia se encontraem bom estado e pode ser acessada no site do Banco de Conteúdos Culturais: www.bcc.org.br/filme/016073 (Versão completa)

Filme versão resumida -  http://youtu.be/Q4PYS5rW5R0

Versão completa - http://youtu.be/qs4LLlotBJw

Apesar de ter sido filmada há mais de 50 anos, a obra possui conteúdos bem atuais. Pioneiro do cinema no Brasil, Humberto Mauro nasceu em 1897 numa fazenda próxima à cidade de Cataguases, na região das Matas de Minas. Morreu na mesma cidade em 1983. É considerado, por muitos, o maior cineasta do país.

Abaixo a sinopse do filme da cinemateca brasileira.

O CAFÉ – HISTÓRIA E PENETRAÇÃO NO BRASIL

Categorias
Curta-metragem / Sonoro / Não ficção
Material original
35mm, BP, 30min, 925m, 24q
Data e local de produção
Ano: 1958
País: BR
Cidade: Rio de Janeiro
Estado: DF

Sinopse

A trajetória do café no Brasil, o plantio, a colheita, o beneficiamento, o transporte, a distribuição e o consumo. Aspectos da cidade de Ribeirão Preto, pioneira no cultivo da planta, e o Museu do Café Francisco Schmidt com relíquias, miniaturas de veículos de tração animal, bustos e esculturas de personagens ligadas ao universo cafeeiro: negros escravos, imigrantes italianos e alemães, e fazendeiros históricos. Mapas animados demonstram o percurso do café, da origem africana passando pela Ásia, Europa, América Central e chegando ao Brasil. Queimadas e plantações de café. Na cidade de Resende, herma em homenagem a Luiz Pereira Barreto, introdutor do café bourbon no país. Casarões, fazendas e plantações do Vale do Paraíba. As formas primitivas do beneficiamento do café: pisoteamento de grãos, monjolos hidráulicos e de tração animal, e pilagem manual. O transporte por muares em percursos longos e acidentados. A locomotiva “Baroneza”, pelo Barão de Mauá, a primeira utilizada para o escoamento do café. A cidade de Campinas e as rodovias para o litoral. O porto de Santos e os navios carregados com sacas de café por guindastes e pelo trabalho dos estivadores. Animação demonstra a penetração do café no estado de São Paulo e sua posterior expansão para o sul de Minas Gerais e o norte do Paraná. Etapas do cultivo do café: o preparo das mudas; os cuidados no plantio e na disposição dos cafezais; o combate às pragas com a pulverização aérea; os eventuais estragos da erosão e da geada; irrigação por aspersão; e a floração dos cafezais. Homens, mulheres e crianças trabalham na colheita. O transporte dos grãos por canaletas até os terreiros onde trabalhadores, com o uso de rodo ou de animais, espalham o produto para uma secagem uniforme. A colheita do café extrafino: o especial cuidado na escolha do fruto; o maquinário que retira a poupa e peneira o café; a lavagem do produto em tanques; o transporte e o processo de secagem. As máquinas brasileiras de beneficiamento e o trabalhado feminino na escolha do café. A classificação de grãos, espécies e tipos como o moca, moquinha, bourbon, despolpado e o maragogipe. As estações de rebeneficiamento e o ensacamento mecanizado. A fiscalização do Instituto Brasileiro do Café na coleta de amostras e em testes de aroma e degustação. Mapa demonstra a exportação do café brasileiro para os mercados do mundo inteiro. O trabalho no embarque das sacas nos portos. A torrefação doméstica e industrial e o empacotamento do Café Palheta em pó. Instruções domésticas para a conservação e a receita de preparo do café O movimento de consumo da bebida em balcão de bares. O centro desenvolvido da cidade de São Paulo, reflexo do poder econômico do café.

Gênero
Filme educativo
Dados de produção
Companhia(s) produtora(s): INCE – Instituto Nacional Cinema Educativo
Companhia(s) distribuidora(s): INCE – Instituto Nacional Cinema Educativo
Direção: Mauro, Humberto
Direção de fotografia: Mauro, José A.
Montagem: Mauro, José A.
Música original: Taranto, Aldo

16 mar

Origem do café no Brasil

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Em geral, afirma-se que a introdução da cultura cafeeira no Brasil aconteceu em 1727, quando algumas mudas foram trazidas da Guiana Francesa e plantadas em Belém do Pará. Porém, há controvérsias de que em 1731, saiu a primeira exportação de café, do Maranhão para Lisboa, em Portugal. Na verdade, os especialistas deduzem a existência do café no Brasil anteriormente, ou vindo de outros continentes.

Em 1773 ou 1760 e 1762 (não há informações precisas em relação às datas), o Desembargador João Alberto Castelo Branco plantou no Rio de Janeiro, algumas sementes de café, que foram plantadas em diversos lugares, mas apenas algumas fixaram-se, entre elas: uma no quintal da casa onde o Desembargador morava, à ladeira do morro de Santo Antônio, próximo, hoje, à Imprensa Nacional; outra foi nos terrenos do mosteiro de Santa Teresa e duas na horta do convento dos capuchinhos italianos. Dessa plantação, o café expandiu-se pelos contrafortes da Serra do Mar, atingindo em 1825 o Vale da Paraíba, tendo alcançado os Estados de São Paulo e Minas Gerais.

O café estendeu-se derrubando a mata, abrindo estradas, fixando povoações e criando riquezas, explorando o solo virgem e rico em nutrientes. O ouro e da cana saíram de cena e cederam o palco para o “ouro verde” – Apelido dado ao café pelos fazendeiros.

Com a expansão do café, o país obteve algumas conseqüências importantes:

A áreas cobertas de matas foram substituídas por uma nova paisagem;
Surgimento a uma nova aristocracia rural chamados “Barões do Café”;
Existência de cidades pioneiras;
Introdução do imigrante italiano em São Paulo;
Multiplicação das vias férreas.

No final do século XIX, o café respondia por 70% do valor das exportações brasileiras, enquanto a Colômbia correspondia 2% da produção mundial. Atualmente, o Brasil produz em média 32 milhões de sacas, sendo 35 milhões nos anos de alta e 27 nos anos de baixa. Considerando que a nossa participação na produção mundial é de aproxidamente 30%.

INTRODUÇÃO E EXPANÇÃO DO CAFÉ NO BRASIL

O café foi introduzido na Guiana francesa através do Governador da Caiena que conseguiu, de um francês chamado Morgues, um punhado de sementes de café, colhidas do cafeeiros que os holandeses haviam plantados em Suriname, e as semeou no pomar de sua residência.

Em 1727, o Governador do Maranhão e Grão Pará, João de Maia da Gama, outorgou ao Sargento-Mor, Francisco de Mello Palheta, uma missão oficial, com o propósito de solucionar os problemas de delimitação de fronteiras, na região de “Montage d’Argent”, na Guiana Francesa. Palheta foi também com uma missão secreta – conseguir algumas sementes do fruto, que segundo informações transmitidas ao Governador Maia, possuía grande valor comercial. Não faltou à estória, lances românticos, pois conta-se que a esposa do Governador de Caiena apaixonou-se pelo galante brasileiro e o presenteou com algumas sementes e cinco mudas de café.

No Brasil, essas sementes e mudas foram plantadas em Belém do Pará e no ano seguinte o café foi introduzido no Maranhão e daí erradiou, em pequenas plantações, aos Estados vizinhos, tendo atingido a Bahia em 1973, o Desembargador João Alberto Castelo Branco trouxe, do Maranhão, para o Rio de Janeiro, algumas sementes de café, que foram plantadas no Convento dos Barbadinhos. O Marquês do Lavradio (vice-rei) e o Bispo do Rio de Janeiro, D. Joaquim, Fomentaram a ampliação da cultura, havendo este último, inclusive, cultivado um viveiro na Fazenda Capão.

Do Rio de Janeiro, o café expandiu-se pelos contrafortes da Serra do Mar, atingindo em 1825 o Vale da Paraíba, tendo alcançado daí os Estados de São Paulo e Minas Gerais. O café estendeu-se, derrubando a mata, abrindo estradas, fixando povoações e criando riquezas, com a exploração do solo virgem, rico em nutrientes, e da mão-de-obra escrava a baixo custo.

Iniciava-se o ciclo do café, após o do ouro e da cana de açúcar, com o café implantando-se solidamente.

No centro-sul, em condições ecológicas altamente favoráveis, o café atingiu o Oeste Paulista em 1840, o Noroeste de São Paulo em 1920; a Alta Sorocabana, a Alta Paulista e o Paraná, entre 1928/1930. O norte do Estado do Rio de Janeiro e o Espírito Santo já cultivam o café desde 1920

17 fev

Café o “vinho da Arábia”

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O nome Café origina-se do árabe qahwa que significa vinho, o “vinho da Arábia”. Têm-se os primeiros registros do café na Etiópia há mais de seis mil anos, onde a planta, que ainda fazia parte da vegetação natural, era misturada com manteiga e consumida em forma de pasta.

Foram os árabes os responsáveis pelo cultivo do café, a partir do século XVI. No século seguinte, o café começou a ser saboreado por europeus, mas a produção ainda era toda árabe.

Uma vez aceito como bebida na Europa, o café começou a ser cultivado nas colônias pertencentes aos países europeus. Tornou-se uma mercadoria que produzia grandes comércios e altos negócios.

No Brasil, a pedido do governador do Maranhão e Grão Pará, em 1727, o sargento Francisco de Mello Palheta buscou mudas de café na Guiana Francesa e as levou a Belém. O cultivo espalhou-se rapidamente pelo Brasil, no século XVIII, sendo produzido em grande escala nas fazendas que operavam com trabalho escravo. No século XIX, o Brasil tornou-se um grande fornecedor de café para a Europa, ao lado do Haiti e da Colômbia.

O consumo do café, no Brasil, é uma tradição alimentar. Muitos brasileiros tomam café, puro ou misturado ao leite, de manhã, nas horas de conversas, depois do almoço, na casa familiar, nos bares, nas repartições de trabalho, na lavoura, e na hora do descanso. É nutrição social de pobres e ricos, brancos e negros, e está presente em todos os lugares.

Além de ser uma bebida tradicional, o café é utilizado na produção de bombons, chocolates, doces caseiros, em bebidas alcoólicas e em outras formas de mercadorias. Esse largo espectro de consumo suscita amplo interesse, particularmente, o nutricional. Novas perspectivas para o café advêm da recente inclusão dessa bebida no rol de alimentos funcionais.

O café é uma fonte importante de antioxidantes e pode contribuir marcadamente na ingestão de polifenóis e flavonóides. Seus principais antioxidantes são os ácidos hidroxicinâmicos, tais como: caféico, cumárico, ferrúlico e os clorogênicos.

Outros alimentos também fornecem compostos fenólicos como o chocolate e os chás. No entanto, o café é o único que sofre torrefação, a qual permite que altas temperaturas destruam alguns dos compostos fenólicos e favoreçam o desenvolvimento de outras substâncias antioxidantes. O desenvolvimento de substâncias antioxidantes durante a torrefação se dá por meio dos produtos da reação de Maillard, e a estocagem dos grãos torrados, bem como as condições de torra, podem modificar os teores dessas substâncias na bebida.

O efeito antioxidante do café tem sido mostrado na redução de suscetibilidade a oxidação de partículas LDL.

Os componentes presentes na infusão cafeinada reduzem o risco de formação de cálculos biliares e estão associados com a prevenção dos sintomas de doenças biliares em mulheres, sendo recomendado o consumo de café como medida preventiva para a colecistolitíase.

Estudos mostraram que o consumo de café e a realização de exercícios tiveram efeito lipolítico maior que o exercício isolado.

Além disso, o café tem efeitos psicoativos e sobre o sistema nervoso central. Existem estudos que mostram associação inversa do consumo de café e risco de suicídios; também, efeito positivo do consumo de café na velocidade de codificação e processamento mental de novas informações, que favorecem esse tipo de resposta em pessoas idosas.